Tuesday, October 03, 2006

Definição sobre TDAH

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um problema bastante comum e se caracteriza por dificuldade em manter a atenção, inquietude acentuada (por vezes hiperatividade) e impulsividade. Ele é chamado às vezes de TDAH (Distúrbio do Déficit de Atenção).
Em muitos casos o transtorno acompanha o indivíduo na vida adulta, embora os sintomas sejam mais brandos quando comparados aos de crianças. De acordo com os psiquiatras *Edward Hallo- well e John Raley, o TDAH é "uma síndrome neuro- lógia caracterizada por certa facilidade para distração, baixa tolerância à frustração e ao aborrecimento, uma tendência maior do que a média das pessoas a dizer ou fazer o que quer que venha à mente (impulsividade) e uma predileção por situações de grande intensidade". Em tempo: o diagnóstico de TDAH não se baseia na simples presença dos sintomas, mas em sua gravidade, duração e no nível de interferência na vida cotidiana.

Histórico
Desde o início do século XX, estudiosos têm se dedicado a realizar pesquisar e trabalhos científicos a respeito de crianças e adultos com comportamentos de agitação e falta de atenção.
Still descreveu um grupo de 20 crianças que se comportavam de maneira excessivamente emocional, desafiadora, passional, agressiva e resistente a qualquer tipo de ação com o objetivo de tornar os comportamentos “mais aceitáveis”.A proporção para esse grupo era de 3 meninos para cada menina e não havia histórico de maus tratos e abuso familiar.Levantou-se então a hipótese de origem biológica, que ganhou força pelo motivo de alguns membros dessas famílias terem problemas psiquiátricos.
Esse fato foi um marco, uma vez que começaram a repensar a questão da repressão de atos inadequados através do uso de castigos e punições físicas.
Em 1934, Eugene Kohn e Louis H. Cohen publicaram artigo demonstrando relação entre uma doença (base biológica) e os sintomas do TDAH, a partir de estudos de pacientes com encefalite.
Na década de 40, passaram a denominar a doença como “Disfunção Cerebral Mínima”.
Nos anos 60, reafirmou-se a hipótese biológica e apurou-se a questão da hereditariedade.Paralelamente alguns acreditavam que se tratava somente de crianças mal educadas e mimadas.
Na década de 70 e 80, muitos pesquisadores se debruçaram em estudos sobre neurotransmissores, associando o TDAH a algum desequilíbrio químico no cérebro.
Com o avanço da ciência e requinte nos exames radiológicos, novas evidências surgiram, associando o TDAH a alterações do metabolismo cerebral.

CaracterísticasO transtorno do déficit de atenção afeta em torno de 3 a 5% das crianças. Este dado já foi confirmado em vários países e também no Brasil. As crianças com TDAH, em especial os meninos, são agitadas ou inquietas. Freqüentemente têm apelido de "bicho carpinteiro" ou coisa parecida. Na idade pré-escolar, estas crianças mostram-se agitadas, movendo-se sem parar pelo ambiente, mexendo em vários objetos como se estivessem "ligadas" por um motor. Mexem pés e mãos, não param quietas na cadeira, falam muito e constantemente pedem para sair de sala ou da mesa de jantar. Elas têm dificuldades para manter atenção em atividades muito longas, repetitivas ou que não lhes sejam interessantes. Elas são facilmente distraídas por estímulos do ambiente externo, mas também se distraem com pensamentos "internos", isto é, vivem "voando". Nas provas, são visíveis os erros por

* Edward Hallo- well e John Raley, O diagnóstico DDA.
distração (erram sinais, vírgulas, acentos, etc.). Como a atenção é imprescindível para o bom
funcionamento da memória, elas em geral são tidas como "esquecidas" : esquecem recados ou material escolar, aquilo que estudaram na véspera da prova, etc. (o "esquecimento" é uma das principais queixas dos pais). Elas também tendem a ser impulsivas (não esperam a vez, não lêem a pergunta até o final e já respondem, interrompem os outros, agem antes de pensar). Freqüentemente também apresentam dificuldades em se organizar e planejar aquilo que querem ou precisam fazer. Embora possam ser inteligentes e criativas, seu desempenho sempre parece inferior ao esperado para a sua capacidade intelectual. O TDAH não se associa necessariamente a dificuldades na vida escolar, embora esta seja uma queixa freqüente de pais e professores. É mais comum que os problemas na escola sejam de comportamento do que de rendimento (notas). Quando elas se dedicam a fazer algo estimulante ou do seu interesse, conseguem permanecer bem mais tranqüilas. Isto ocorre porque os centros de prazer no cérebro são ativados e conseguem dar um "reforço" no centro da atenção que é ligado a ele, passando a funcionar em níveis normais. O fato de uma criança conseguir ficar concentrada em alguma atividade não exclui o diagnóstico de TDAH. É claro que não fazemos coisas interessantes ou estimulantes desde a hora que acordamos até a hora em que vamos dormir: os portadores de TDAH vão ter muitas dificuldades em manter a atenção em um monte de coisas. Um aspecto importante: as meninas têm menos sintomas de hiperatividade-impulsividade que os meninos (embora sejam igualmente desatentas), o que fez com que se acreditasse que o TDAH só ocorresse no sexo masculino. Como as meninas não incomodam tanto, eram menos encaminhadas para diagnóstico e tratamento médicos. *COMORBIDADE EM TDAH Cerca de 50% das crianças e adolescentes portadores de TDAH não apresentam comorbidade. Daquelas com outros transtornos neuropsiquiátricos ocorrendo em comorbidade, até 20% apresentam 2 ou mais diagnósticos, além do TDAH.
Os transtornos comórbidos mais comuns são os Transtornos Disruptivos (Transtorno Desafiante de Oposição (TOD) e Transtorno de Conduta (TC), os Transtornos Ansiosos e os Transtornos do Humor (Depressão, Distimia e Transtorno Bipolar). A presença de comorbidade altera o prognóstico do TDAH e também as estratégias terapêuticas. As comorbidades freqüentemente representam a maior parcela no comprometimento funcional. O diagnóstico de comorbidade não é artefato secundário ao fato de muitos sintomas de TDAH também serem sintomas de outros transtornos. Um estudo recente realizado em Porto Alegre e Rio de Janeiro, revelou índices semelhantes de comorbidade, com o sistema DSM-IV. O TOD ocorre em até 1/3 das crianças com TDAH e freqüentemente causa maior comprometimento funcional que o TDAH isoladamente. O TC freqüentemente representa um desafio clínico, uma vez que se associa a inúmeros fatores confundidores de avaliação do tratamento. Ocorre mais em homens e tem um prognóstico pior, sendo associado à maior prevalência futura de abuso de álcool e drogas. *Cognitive-Behavioral Therapy with ADHD Children – Child, Family and School Interventions,Lauren Braswell,Michael Bloomquist,The Guilford Press
O TDAH SE CARACTERIZA POR UMA COMBINAÇÃO DE DOIS TIPOS DE SINTOMAS: 1. Desatenção 2. Hiperatividade-impulsividade O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como "avoadas", "vivendo no mundo da lua" e geralmente "estabanadas" e com "bicho carpinteiro" ou "ligados por um motor" (isto é, não param quietas por mui que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como por exemplo dificuldades com regras e limites. Em adultos, ocorrem problemas com a atenção para coisas do cotidiano e do trabalho, bem como com a memória (são muitos esquecidos). São inquietos (parece que só relaxam dormindo), vivem mudando de uma coisa para outra e também são impulsivos ("colocam os carros na frente dos bois"). Eles têm dificuldade em avaliar seu próprio comportamento e afetando os demais à sua volta. São freqüentemente considerados "egoístas". Eles têm uma grande freqüência de outros problemas associados, tais como o uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão. Infelizmente, é possível encontrar profissionais que negam enfaticamente a existência do TDAH e se opõem a qualquer tipo de tratamento, que seria uma forma de "controle mental", segundo eles. COMO SÃO OS PORTADORES? O LADO BOM E O RUIM DO TDAH. Em cerca de 60% dos casos o problema não acaba na infância, ele acompanha a pessoa por toda a vida, só muda de forma. Como é mais comum em homens do que em mulheres as descrições citadas abaixo têm com um certo humor.
* O lado bom do TDAH
Ser TDAH tem um lado bom, desde que o seu grau de Hiperatividade não tenha feito você ser expulso de todas as escolas de sua vida, nem ter feito você ser obrigado a ser um trabalhador braçal apesar de ser um profundo conhecedor de algum assunto muito especial, que a maioria das pessoas só conhece superficialmente. Os "TDAHs" podem ter grandes qualidades: simpáticos, falantes, comunicativos, inteligentes, energia inesgotável, idéias novas e brilhantes (embora nem sempre sejam levadas adiante). Muito pique, parece que sentem a idade menos que outras pessoas. São criativos, pioneiros, inventores, não vivem sempre de modo politicamente correto. Assumem e correm riscos, defendem idéias. Muitos descobrem um interesse especial onde conseguem "hiperconcentrar". Mas, como não existe piquenique sem formigas, também existe o lado ruim: O TDAH é composto de um tripé: Hiperatividade, Impulsividade e Desatenção. De acordo com a intensidade maior de um desses ramos do problema será o comportamento do adulto. Por exemplo: * Pessoas desligadas, "preguiçosas", sem iniciativa, sonhadoras, que não acabam o que começam, que adiam tarefas, que perdem horas, dias, meses, anos sem começar ou sem concluir nada. * Pessoas agitadas, impulsivas, ansiosas, que "tem a língua mais rápida que o cérebro", ou seja, péssimos em diplomacia, descontrolados, que não agüentam esperar numa fila, não esperam o outro acabar de falar, interrompem, perguntam antes da hora. Quando a outra pessoa começa uma frase, eles já sabem o que ela vai falar, portanto respondem ou interrompem antes da hora. Às vezes porque realmente pensam rápido e são muito "antenados", às vezes porque são superficiais e falam sem pensar e sem medir as conseqüências. * A letra pode ser feia, portanto acabam criando o hábito de escrever em letra de forma, para que as pessoas (e eles próprios) entendam. * Em palestras precisam escrever ou gravar, mas quem disse que depois elas irão ouvir as fitas ou entender o que escreveram ? * Costumam viver perigosamente, se expõem a riscos como esportes radicais, viagens arriscadas. * Abuso de substâncias. Pode ser cigarro, álcool ou outras drogas. * Por rompantes mal pensadas e mal colocados, criam inimigos, pedem demissão, são demitidos, divorciam-se, são expulsos de casa, rompem namoros, noivados, etc. * Pessoas inteligentes, capazes, simpáticas, que simplesmente não deram certo na vida. Porque nunca aprenderam uma profissão, porque mudam de profissão, porque destruíram casamentos por causa de mais aventuras do que a média, ou por aventuras mais comprometedoras. Porque faltou diplomacia, malícia e habilidade política. Porque simplesmente tem pouca energia. Porque começam muitas coisas ao mesmo tempo, nunca focalizando nem concluindo todas. * O TDAH pode ser o bode expiatório da família. Por exemplo: ele precisa de muito mais atenção dos pais, professores, etc., o que desperta ciúmes dos irmãos. Ou desperta irritação dos pais, pois todos os irmãos tiveram as mesmas chances mas o TDAH não aproveitou. Isso e mais as experiências de vida levam a uma auto-estima bem baixa. * As mulheres reclamam que maridos esquecem datas, fatos, conversas, etc. Que eles não ouvem o que elas falam. E que se ouvem, não gravam. Que eles parecem estar prestando atenção, mas na verdade os pensamento estão a anos luz de distância. OK, realmente os homens são assim. Só que os TDAHs são mais que os outros. Sua mesa de trabalho é um buraco negro da galáxia, tudo que entra desaparece. * Deixam a cozinha num caos para fritar um ovo. * Sabem o nome de uma pessoa, ele está em algum lugar do cérebro, mas quando encontram essa pessoa parece que não conseguem acessar seu nome. * Aluga filmes pela segunda vez porque esquece que já viu o filme. * Pilhas de tarefas não completadas. De tempos em tempos propõe-se a acabar com elas, o que nem sempre ocorre. Saem de casa em cima da hora e chegam atrasados. Para evitar novos atrasos, deixam tudo preparado na véspera: a chave do carro em cima da pasta em cima da mesa próxima da porta da casa. Mas ainda assim esquecem os óculos, o celular, etc... * Inteligentes, com uma formação acadêmica de primeira qualidade deixam de fazer uma bela carreira universitária por não se acharem à altura dos demais professores. Sua autocrítica é implacável, conseqüência de sua baixa auto-estima. * Inteligentes, simpáticas, bonitas e sexy, mas podem se relacionar com homens mais simples pois acham que não tem atrativos para se relacionar com um homem de seu nível econômico e profissional, conseqüência da baixa auto estima. * Não desenvolveu seu negócio da mesma forma que seus concorrentes, não por falta de capacidade nem de criatividade, mas por falta de traquejo social e habilidade política para se relacionar com clientes em potencial. * "Estudante eterno". 10 anos numa faculdade que deveria durar 4. Os trabalhos são sempre adiados, deixados para última hora, etc. * Difícil perder peso, parar de fumar. Faz parte do TDAH o exagero e a voracidade. Pode ser por sexo, por comida, por bebida, por experiências novas, etc.
to tempo). Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade-impulsividade

*Adventures in Fast Forward:Life, Love and Work for the ADD Adult.Kathleen Nadeau, New York,NY, Brunner Mazel, 1996.
Sugestões para Intervenções do Professor
Há uma grande variedade de intervenções específicas que o professor pode fazer para ajudar a criança com TDAH a se ajustar melhor à sala de aula:
Proporcionar estrutura, organização e constância (exemplo: sempre a mesma arrumação das cadeiras ou carteiras, programas diários, regras claramente definidas)
Colocar a criança perto de colegas que não o provoquem, perto da mesa do professor, na parte de fora do grupo.
Encorajar freqüentemente, elogiar e ser afetuoso, porque essas crianças desanimam facilmente. Dar responsabilidades que elas possam cumprir faz com que se sintam necessárias e valorizadas. Começar com tarefas simples e gradualmente mudar para mais complexas.
Proporcionar um ambiente acolhedor, demonstrando calor e contato físico de madeira equilibrada e, se possível, fazer os colegas também terem a mesma atitude.
Nunca provocar constrangimento ou menosprezar o aluno.
Proporcionar trabalho de aprendizagem em grupos pequenos e favorecer oportunidades sociais.Grande parte das crianças com TDAH consegue melhores resultados acadêmicos, comportamentais e sociais quando no meio de grupos pequenos.
Comunicar-se com os pais. Geralmente, eles sabem o que funciona melhor para o seu filho.
Ir devagar com o trabalho. Doze tarefas de 5 minutos cada uma traz melhores resultados do que duas tarefas de meia hora. Mudar o ritmo ou o tipo de tarefa com freqüência elimina a necessidade de ficar enfrentando a inabilidade de sustentar a atenção, e isso vai ajudar a auto-percepção.
Favorecer oportunidades para movimentos monitorados, como uma ida à secretaria, levantar para apontar o lápis, levar um bilhete para o professor, regar as plantas ou dar de comer ao mascote da classe.
Adaptar suas expectativas quanto à criança, levando em consideração as deficiências e inabilidades decorrentes do TDAH. Por exemplo, se o aluno tem um tempo de atenção muito curto, não esperar que ele se concentre em apenas uma tarefa durante todo o período da aula.
Recompensar os esforços, a persistência e o comportamento bem sucedido ou bem planejado.
Proporcionar exercícios de consciência e treinamento dos hábitos sociais da comunidade. Avaliação freqüente sobre o impacto do comportamento da criança sobre ela mesma e sobre os outros ajuda bastante.
Favorecer freqüente contato aluno/professor. Isto permite um “controle” extra sobre a criança com TDAH, ajuda-a a começar e continuar a tarefa, permite um auxílio adicional e mais significativo, além de possibilitar oportunidades de reforço positivo e incentivo para um comportamento mais adequado.
Colocar limites claros e objetivos; ter uma atitude disciplinar equilibrada e proporcionar avaliação freqüente, com sugestões concretas e que ajudem a desenvolver um comportamento adequado.
Assegurar que as instruções sejam claras, simples e dadas uma de cada vez, com um mínimo de distrações.
Desenvolver um repertório de atividades físicas para a turma toda, como exercícios de alongamento ou isométricos.
Referências Bibliográficas:

Benczik,E.B.P.;L.A.P.-Transtorno de D´ficit de Atenção hiperatividade.O que é?Como ajudar? Porto Alegre, Artes Médicas Sul, 1999

Goldstein ,M;Goldstein,S.- Hiperatividade.Como desenvolver a capacidade de atenção da criança.São Paulo, Papirus, 1996
Manual para a Escola do TDAH:Versão para professores.
Edyleine Bellini Peroni Benczik.São Paulo , casa do Psicólogo, 2000

Princípios e Práticas em TDAH
Luis Augusto Rohde, Paulo Mattos e colaboradores
Artmed Editora, 2002.